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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

* Da derradeira *


A verdade é que já estava tarde.
E era segunda-feira.
Ou domingo.
Ou qualquer dia da semana e não importa.
Estava frio.
E o céu quase chovia de tão frio.
E de repente a explicação para aquilo que ele carregava dentro de si estivesse perto de uma daquelas ruas em que a Orla quase beija a Paralela.
Ele estava um tanto cabisbaixo...
talvez por tê-la deixado tão apressadamente.
Atravessou a rua pensando no par de faróis verdes que sempre o observavam como se fosse o melhor homem do mundo.
Olhou então através da janela que separava a rua gélida de uma dessas noites do bar quentinho e azul que tem nome de santo, cerveja boa, ambiente animado e preços salgados.
E lá na tela aparecia então a mulher com que um dia (há muito tempo atrás) fora a sua musa.
"Colada" na parede, com os cabelos soltos ao lado de um qualquer segurando uma cerveja qualquer estava Claudia Leite em um anúncio de cerveja qualquer.
Ele sorriu.
Claudinha ainda o fazia um pouquinho feliz.
Chegando em casa correu até o telefone.
Ligou para aquele número que sua memória gostava de repetir.
Ela atendeu (e com a alegria provacada pela mordernidade através do identificador de chamadas) e voz doce, bem docinha disse assim:
- Olá, amor...
- Oi, só liguei pra dizer que nem a Claudinha Leite é tão bonita quanto tu.

PS: Não ia postar esse mas alguém gostou, disse que era bonitinho. :)
PS2: Com algumas modificações do original mas com a essência mantida.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

* Quando a sexta-feira chega... *


A velinha azul, que representa o pedido de Maria Flor para encontrar logo um moço alto, loiro, leal e que se dê bem com crianças, se apaga.
A estrela no céu que estava deprimida pois não tinha mais o brilho de outrora resolveu se suicidar. Virou então cadente.
Os meninos ficaram tão tristes que nem conseguiram terminar a partida de gudes.
Os peixinhos do mar não ficaram mais se mandando beijos com as bocas que antes não paravam um minuto sequer. Ficaram chateados e se esconderam por entre as algas.
Os morangos de tanto chorarem, se tornaram mais líquidos e foram acabar em cima de biscoitos em forma de geléia.
As cerejeiras não deram um cereja sequer.
Os dedinhos que formavam um coração com suas pontas naquele momento não se encontraram.
A senhorita pobre, mas ainda assim corajosa, modesta, bonita, alegre, inteligente que era a "mocinha" do filme nunca encontrou o príncípe encantado.
O sol foi embora, para trás das montanhas onde não mais conseguimos enxergá-lo.
A dor de cabeça atormentou por horas o poeta.
A torta de chocolate brigou com os ovos moles. Coitadinhas das castanhas açucaradas que acabaram órfãs.
E o meu músculo "amoreado" ficou triste e solitário...
quando na tarde de sexta-feira ela teve que ir embora.


PS: Mas ainda assim ele (meu coração) voltará a sorrir na segunda, quando nós dois estivermos juntos.

* Na cafeteria *


Sobre a mesa, uma pasta, uma bolsa, um guarda-chuva preto (e um céu que não queria chover), adoçante, açúcar (esqueceste de pedir o mascavo), sorrisos largos, uma bandeja "suicida", uma fatia gigantesca de torta (que tu juraste que não comeria inteira), um café com leite, um expresso duplo, pequenos goles, grandes planos. E quatro mãos que matavam a saudade.
- Um dia, casa comigo?
- Caso.

PS: Porque de vez em quando a poesia não está nas linhas, entrelinhas, reticências, letras do Djavan, na voz da Marisa. De vez em quando a poesia habita dois corações. E apenas dois corações sabem do que são capazes.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Ele é O Cara


Em homenagem ao fim, fumava um cigarro. Ele dizia que o bom em se iludir com alguém, é que justamente da ilusão a gente identifica o que dentro de nós está faltando. Daí, pra correr atrás e resolver a questão interna é um passo. Puta otimista, o cara. Ele dizia também que a única certeza na vida é a morte, e que a única certeza no amor, é o fim. Então, quando um romance acabava, ao invés de ficar triste, o sujeito já ficava logo ansioso pelo próximo, pra saber como seria, o que iria sentir, pensar e aprender. Puta pra-frente, o cara... Na época em que eu estava terminando com a Renata, encontrava com ele toda terça de manhã na padaria do Aluízio. Sempre lá no último banco do balcão: pãozinho com manteiga na chapa, cafezinho com leite no copo americano, boininha marrom enterrada na cabeça... Eu dava bom dia, ele olhava pra mim, sorria, e acenando dizia: “Bom dia é pouco! Hoje o dia vai ser ótimo!”. Amareladamente eu sorria de volta. Depois de comer, ele fumava um cigarrinho, cumprimentava o Aluízio, passava por trás de mim, dando uns tapinhas amistosos nas minhas costas, e na porta da padaria, vestia o casaquinho xadrez, dava uma espreguiçada, montava na bicicleta e ia embora assoviando uma música do Chico Buarque. E por falar em Renata, hoje completariam três meses sem vê-la, se eu não tivesse decidido parar pra tomar um café na padaria do Aluízio. Estavam lá os dois, Renata e o prafrentex, comendo pãozinho na chapa, tomando cafezinho com leite no copo americano. Rapidinho entendi tudo. Puta babaca, o cara.

P.S.: Roubei a bicicleta.